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Por Danniel Rodrigues

Cerveja sem álcool já é 3,9% do consumo nacional, aponta levantamento da Neogrid

 

A categoria saltou de 2,5% para 3,9% em apenas dois anos. E o que muda quando o dado vem do caixa do supermercado, não de pesquisa de intenção

Resumo do artigo

Um novo levantamento da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados, revela que a cerveja sem álcool passou de 2,5% para 3,9% do volume total consumido no Brasil entre 2024 e 2026. A presença em carrinhos subiu de 4,4% para 5,6%, o tíquete médio cresceu mais de 20% (R$ 26,41 para R$ 31,94), e o número de itens por compra aumentou de 4,6 para 5,5. Diferentemente de pesquisa de intenção, esse dado vem direto do caixa do supermercado. É o que o brasileiro está, de fato, comprando.

Existe uma diferença fundamental entre o que o consumidor diz que vai fazer e o que ele de fato faz. Pesquisas de intenção, mesmo as mais bem desenhadas, capturam atitude. Capturam o que a pessoa acredita sobre si mesma, o que ela acha aceitável declarar, o que ela imagina ser desejável. Dado de varejo, por outro lado, captura ação. Não tem filtro, não tem viés de resposta, não tem distorção de imagem. É o que de fato passou pelo caixa.

Por isso o novo levantamento publicado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados que monitora a cadeia de consumo brasileira, merece atenção especial. Os dados ali não são opinião. São registro concreto do que entrou no carrinho de quantos brasileiros, em quantas regiões, com qual tíquete médio. E o que esses números mostram sobre cerveja sem álcool no Brasil é, em uma palavra, expressivo.

O salto de 2,5% para 3,9% em dois anos

Em uma categoria que historicamente se mexia em décimos, ganhar 1,4 ponto percentual em dois anos é transformação estrutural.

O dado central do levantamento é simples e poderoso: em 2024, a cerveja sem álcool representava 2,5% do volume total de cerveja consumido no Brasil. Em 2026, esse número saltou para 3,9%. Para quem trabalha com mercado, essa variação é desproporcionalmente grande no horizonte de tempo de dois anos. Categorias inteiras costumam levar uma década para mover esse tipo de ponteiro.

2,5%
do volume total de cerveja em 2024
3,9%
do volume total de cerveja em 2026

E o crescimento não está só na fatia de mercado. Está em todos os indicadores adjacentes:

  • Incidência em carrinhos: saltou de 4,4% para 5,6% entre 2024 e 2026. Ou seja, mais de uma em cada 18 compras de supermercado no Brasil agora inclui cerveja sem álcool;
  • Tíquete médio: de R$ 26,41 para R$ 31,94, um aumento de mais de 20% no valor que cada consumidor está disposto a gastar na categoria;
  • Itens por compra: de 4,6 unidades para 5,5 unidades, o que indica que quem compra cerveja sem álcool está comprando em quantidade maior, não esporadicamente.

Como resume Marcelo Alves, gerente executivo de dados da Neogrid, "a cerveja sem álcool deixou de ocupar um espaço de nicho para ganhar enfim relevância dentro da categoria". O brasileiro está incorporando essa bebida a diferentes ocasiões de consumo, e isso aparece com clareza nos números.

Quando o consumidor coloca mais latas no carrinho, gasta mais por compra e repete o gesto com mais frequência, o sinal é claro: não é mais escolha de exceção. É escolha de rotina.

O Brasil inteiro está mudando, cada região no seu ritmo

A cerveja sem álcool cresce em todas as cinco regiões do país, mas com velocidades e perfis distintos.

Um dos pontos mais reveladores do levantamento da Neogrid é a abertura por região. A cerveja sem álcool não é fenômeno isolado de um polo urbano ou de um perfil específico de consumidor. Está acontecendo em todo o território nacional, mas com nuances importantes.

A região Norte teve a evolução mais acelerada, escalando de 1,9% em 2024 para 4,2% em 2026, mais que dobrando a participação em dois anos. O Sul, por outro lado, lidera em participação absoluta no consumo regional, chegando a 6%, acima da média nacional. O Sudeste e o Centro-Oeste acompanham a média geral, e o Nordeste apresenta o salto mais expressivo no tíquete médio, indicador de poder de compra qualificado.

Os dados de tíquete médio regional ajudam a entender a dinâmica:

Região Tíquete médio 2024 Tíquete médio 2026 Variação
Centro-Oeste R$ 26,28 R$ 31,03 +18%
Nordeste R$ 27,18 R$ 37,47 +38%
Norte R$ 32,54 R$ 35,89 +10%
Sudeste R$ 26,31 R$ 31,24 +19%
Sul R$ 28,10 R$ 32,10 +14%

Esses dados regionais desmontam um mito comum sobre a categoria: o de que cerveja sem álcool seria preferência de "público específico" (jovens urbanos, consumidores de classe A, esportistas, certas religiões). O que o levantamento mostra é que a mudança é nacional, atravessa perfis e classes, e está acelerando em paralelo em territórios muito distintos.

O contexto maior: o brasileiro está bebendo menos álcool

Enquanto a cerveja sem álcool cresce, o mercado cervejeiro total caiu 10,4% entre 2024 e 2025. A categoria está, literalmente, redirecionando o consumo.

Para entender por que esse crescimento está acontecendo, o levantamento da Neogrid cruza os dados de varejo com pesquisa da Ipsos-Ipec realizada para o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). Os números da abstinência declarada são impressionantes:

  • 64% dos adultos brasileiros afirmaram não consumir bebidas alcoólicas em 2025, contra 55% em 2023;
  • Entre pessoas de 18 a 24 anos, a abstinência saltou de 46% para 64% no mesmo período;
  • Entre 25 e 34 anos, passou de 47% para 61%.

Esse movimento explica a outra metade da história do mercado cervejeiro. Enquanto a cerveja sem álcool cresce, o volume total de cerveja consumido no Brasil caiu 10,4% entre 2024 e 2025. As cervejas claras, segmento dominante, recuaram de 92,5% para 90,7% de participação. Outros segmentos como artesanal, escura e chopp avançaram apenas levemente. A cerveja sem álcool, sozinha, ocupou uma fatia que antes era do álcool.

O brasileiro não está bebendo menos cerveja por desinteresse. Está bebendo cerveja com menos álcool, em mais ocasiões. Essa nuance é tudo.

Para a indústria, o recado é claro. Como aponta o próprio Marcelo Alves na Neogrid, "categorias que antes tinham baixa representatividade começam a obter significância e demandam um planejamento mais preciso nas gôndolas". Em outras palavras: ignorar a cerveja sem álcool em 2026 é o mesmo que ignorar o café especial em 2015. Quem fizer essa aposta, vai pagar caro nos próximos cinco anos.

O lugar da Luci nessa transformação

A Luci não está observando esse movimento, está fazendo parte dele.

Quando se olha esse levantamento da Neogrid em conjunto com outros que apresentamos nas últimas semanas no GOLES DE LUCIDEZ (o Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026 do PINT.Network e Surra de Lúpulo, os dados da Euromonitor que colocam o Brasil como segundo maior mercado mundial da categoria, o Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura), o que aparece é convergência de evidência. Não é mais uma tendência. É movimento estrutural confirmado por múltiplas fontes independentes.

A Luci nasceu dentro desse movimento, mas não por acaso. Foi construída com a tese de que era possível fazer cerveja artesanal sem álcool com complexidade sensorial premium, ingredientes nativos da biodiversidade brasileira e identidade própria, em vez de versão diet de cerveja convencional. Os dados estão mostrando que essa tese tem mercado, e tem mercado em todas as regiões do país, em todas as classes, em todos os perfis.

O desafio que sobra, para a Luci e para a categoria como um todo, é o que já apareceu também no Retrato dos Consumidores: garantir que a primeira experiência seja boa o suficiente para gerar recompra. Os dados de varejo da Neogrid confirmam que isso está acontecendo, o aumento de itens por compra (de 4,6 para 5,5) é exatamente isso. Mas há muito espaço para crescer ainda, e a marca que melhor entregar sabor real, brasilidade e qualidade vai ocupar a fatia maior da próxima década.

É exatamente esse o jogo que estamos jogando.

Fonte: Cerveja sem álcool amplia espaço no mercado brasileiro e alcança 3,9% do consumo nacional, aponta levantamento da Neogrid. Publicado em 23 de junho de 2026 por Jorge Hoffmann.
Reportagem original em: https://neogrid.com/noticias/cerveja-sem-alcool-amplia-espaco/

3,9% e crescendo. A Luci é parte do que está mudando.

Cervejas artesanais sem álcool premiadas, feitas com ingredientes nativos da biodiversidade brasileira. Quando o mercado vai para um lado, vale provar quem ajudou a construir esse caminho.

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Levantamento Neogrid, junho de 2026. A cerveja sem álcool não está mais em ascensão. Está em consolidação. E a Luci está dentro dela.

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