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Por Danniel Rodrigues

Sabor, não restrição: o que os dados revelam sobre o futuro do sem álcool

O Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026 confirma o que a Luci já sabia: o problema da categoria nunca foi a ausência de álcool. Foi a ausência de sabor de verdade

Resumo do artigo

O Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026, pesquisa do PINT.Network em parceria com o Surra de Lúpulo, ouviu 8.808 pessoas em todos os estados do país entre janeiro e fevereiro deste ano. A Luci está entre as patrocinadoras do estudo. Os dados confirmam um diagnóstico que já guiava o jeito como fazemos cerveja: o que afasta o consumidor da categoria sem álcool não é a ausência de álcool. É a ausência de sabor que se reconheça como cerveja de verdade.

A pesquisa
Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026 — 5ª edição
8.808 respondentes válidos · Todos os estados brasileiros · Coleta entre 12/01 e 13/02/2026 · Realização: PINT.Network e Surra de Lúpulo
Baixar a pesquisa na íntegra

Toda categoria nova carrega um mito de fundação. No caso da cerveja sem álcool, o mito é antigo e específico: a ideia de que abrir mão do álcool significa abrir mão do sabor. Por anos, essa percepção foi tratada como verdade em conversas de bar, em reportagens de gastronomia e em decisões internas de marcas grandes. O resultado é que a categoria carregou nas costas uma desconfiança que não correspondia mais à realidade do produto.

Agora, pela primeira vez no Brasil, há dado de larga escala para confirmar (ou desmontar) essa percepção. O Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026, na sua quinta edição, ouviu 8.808 pessoas em todos os estados do país entre janeiro e fevereiro deste ano. É a maior amostra já reunida sobre o consumo de cerveja no Brasil, e a Luci está entre as patrocinadoras do estudo. Os dados, conforme veremos, confirmam algo que já guiava o jeito como fazemos cerveja por aqui.

Quem respondeu essa pesquisa

Antes dos números, vale entender quem está por trás deles. Dos 8.808 respondentes, 48,9% incluem cerveja artesanal no consumo, 17,7% pararam nas especiais e 33,4% bebem só comuns. O perfil muda bastante de um grupo para o outro: entre quem bebe artesanal, 72% são homens, a faixa mais comum é 36-45 anos e a renda familiar média chega a R$12.319. Entre quem bebe só comuns, o quadro se inverte — 59% são mulheres, a faixa mais comum sobe para 46-55 anos e a renda familiar média cai para R$6.397. O critério de compra também muda com o segmento: quem bebe comuns decide principalmente por preço, quem bebe especiais por custo-benefício, quem bebe artesanal por estilo.

Geograficamente, a amostra tem peso forte de Sul e Sudeste — só São Paulo responde por 22% das respostas, e Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul somados passam de 40%. O próprio relatório é transparente sobre isso: é uma amostragem voluntária, coletada principalmente entre o público já engajado com o universo cervejeiro, não um recorte estatístico da população brasileira em geral. Isso não invalida os achados — pelo contrário, torna esse retrato ainda mais útil para quem trabalha com cerveja, porque é o olhar de quem já bebe e já tem critério formado sobre o que separa uma cerveja boa de uma cerveja qualquer. É justamente esse público que decide se a cerveja sem álcool vira hábito ou fica só na curiosidade.

O dado que devia estar em toda reunião de marketing do setor

A maior barreira de recompra da cerveja sem álcool é sensorial, não econômica.

Entre os respondentes que já experimentaram cerveja sem álcool e não voltaram a consumir, a segunda razão mais citada (atrás apenas de "gosto da sensação do álcool") foi simplesmente não gostar do sabor: 43,2%. Preço, para efeito de comparação, aparece com apenas 12,4%. Ou seja, a barreira não é econômica. É sensorial.

43,2%
não voltaram à cerveja sem álcool porque não gostaram do sabor
12,4%
não voltaram à cerveja sem álcool por causa do preço

O mesmo padrão aparece do outro lado do funil, entre quem nunca experimentou mas estaria disposto a considerar. A mudança mais pedida para fazer essa conversão acontecer é "mais estilos e sabores", citada por 70,7% dos profissionais do setor, 67,7% dos cervejeiros caseiros e 48,9% dos consumidores comuns. Em seguida vem o pedido por mais amargor, com até 41,2% de menção, e por ingredientes como frutas, com até 16,2%.

Traduzindo: o mercado está pedindo, com números, exatamente o que a Luci já levou para dentro da lata. IBU declarado em vez de "leve" genérico. Café arara orgânico, cambuci, jabuticaba e uvaia, em vez de cerveja sem identidade. A pesquisa não inventou esse caminho. Ela só confirmou que ele é o caminho certo.

O problema da cerveja sem álcool no Brasil nunca foi a falta de álcool. Foi a falta de coragem para fazer uma cerveja boa sem ele.

A cerveja zero ainda é escolhida por exclusão, não por desejo

Entre 57% e 66% dos respondentes apontam "dirigir" como a principal razão para consumir cerveja sem álcool.

Um dado importante de contexto: a razão mais comum para consumir cerveja sem álcool não tem nada a ver com performance esportiva ou rotina saudável. É dirigir. Entre 57% e 66% dos respondentes, em todos os perfis de consumo, apontam essa como a principal motivação.

O relatório é direto sobre o que isso significa: hoje, a cerveja sem álcool ainda é "escolhida por exclusão, não por preferência". É a opção de quem não pode beber álcool naquele momento, não a primeira escolha de quem quer aquele sabor específico. Esse é o trabalho real de posicionamento que está pela frente para a categoria inteira: fazer com que sabor, e não restrição, seja o motivo de alguém abrir uma cerveja sem álcool.

Para a Luci, esse achado é particularmente relevante. Não estamos no jogo de oferecer só "a opção do motorista". Estamos no jogo de oferecer cerveja artesanal premiada, com ingredientes nativos da biodiversidade brasileira, que casualmente também não tem álcool. A diferença de enquadramento muda tudo, da comunicação ao paladar.

O fantasma dos anos 90 que ainda ronda a categoria

A memória do "efeito Cereser" ainda explica por que muito consumidor mais velho desconfia da cerveja sem álcool sem ter experimentado as opções atuais.

A pesquisa nomeia algo que muita gente no setor sente, mas raramente verbaliza: o "efeito Cereser", referência à Kronenbier e a outras tentativas de cerveja sem álcool dos anos 90 que deixaram uma memória de sabor ruim em quem as provou na época. Esse estigma histórico ainda vive na cabeça de consumidores mais velhos e ajuda a explicar por que tanta gente desconfia da categoria sem nem ter experimentado as opções atuais.

É um problema de geração de produto, não de categoria. A cerveja sem álcool que existe hoje, com técnicas de produção mais maduras, ingredientes melhores e cervejarias dedicadas exclusivamente a fazer isso bem feito, não tem relação com aquilo. Mas esse argumento só convence quando é dito com prova: prêmio real, ingrediente nomeado, dado técnico. Não basta dizer que mudou. É preciso mostrar o que mudou.

A cerveja sem álcool de 2026 tem tanta relação com o Kronenbier dos anos 90 quanto um café especial brasileiro tem com café solúvel. São produtos diferentes, com tecnologia diferente, feitos com intenção diferente.

Moderação não é tudo ou nada

70,2% dos respondentes buscam alguma forma de moderar o consumo de álcool, mas as estratégias se combinam.

Outro ponto que merece atenção de quem trabalha com portfólio: a maioria das pessoas que busca moderação não está fazendo uma troca total. No total, 70,2% dos respondentes buscam alguma forma de moderar o consumo e as estratégias variam. Olhando por segmento, apenas entre 7,3% e 8,5% das pessoas adotam "só cerveja zero" como única estratégia. A combinação mais comum entre quem consome artesanal é reduzir volume e trocar de produto ao mesmo tempo, com 18,4%, a maior fatia da tabela.

A moderação também muda de cara conforme a idade. Entre 18 e 35 anos, a estratégia predominante combina beber menos com optar por cerveja zero. A partir dos 56 anos, a estratégia muda: a maioria prefere reduzir o teor alcoólico do produto, não eliminar o álcool por completo. Como resume a própria pesquisa, esse público "quer continuar bebendo, mas com menos álcool".

O que fica desse retrato

A categoria de cerveja sem álcool no Brasil está em consolidação, e o desafio real está na recompra.

Há ainda um dado de contexto que merece registro: 78% dos respondentes, em todos os perfis de consumo, apoiam tributação menor para bebidas de menor teor alcoólico. É um sinal de que a categoria já tem legitimidade popular suficiente para virar pauta de política pública, não só de prateleira.

Juntando os pontos, o retrato que a pesquisa traça da cerveja sem álcool no Brasil é o de uma categoria em consolidação, não em explosão, e ainda imatura em um ponto específico: recompra. As pessoas já experimentam. O desafio é fazer com que voltem. E os dados são claros sobre o que faz alguém voltar: sabor de verdade, ingrediente que se reconhece, e uma marca que trata escolher sem álcool como decisão de plenitude, não como concessão.

É exatamente esse o território da Luci.

Beba com lucidez. Beba Luci.

Fonte: Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026, 5ª edição, PINT.Network e Surra de Lúpulo. Pesquisa com 8.808 respondentes válidos, coletada entre 12/01 e 13/02/2026. A Luci é uma das patrocinadoras do estudo.
Pesquisa completa em: https://retrato.surradelupulo.com.br/resultado/

Prove o que 8.808 pessoas estavam pedindo, sem saber.

Cervejas artesanais sem álcool da Luci, premiadas, feitas com ingredientes nativos da biodiversidade brasileira. Cerveja de verdade, sem o que faz mal, com o que faz bem.

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Retrato dos Consumidores de Cerveja 2026. 8.808 pessoas ouvidas em todos os estados. A categoria amadureceu. A Luci já estava aqui.

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