Catharina Sour é o primeiro estilo de cerveja oficialmente reconhecido como brasileiro, criado em Santa Catarina em 2015 e catalogado pelo Beer Judge Certification Program (BJCP) em 2018. Caracteriza-se pela acidez láctica equilibrada, adição obrigatória de frutas frescas e alta facilidade de beber. A versão sem álcool do estilo é uma fronteira técnica recente: poucas cervejarias no mundo dominam o processo. A linha Catharina Sour Sem Álcool da Luci, com a Maracuvaia (maracujá e uvaia) e a Catharina Sour com Cambuci e Jabuticaba, é a referência brasileira do estilo na categoria sem álcool, com prêmios em concursos nacionais e internacionais.
A história da Catharina Sour
A Catharina Sour nasceu em Santa Catarina em 2015, fruto do trabalho de cervejeiros caseiros do estado que buscavam uma identidade brasileira para o universo cervejeiro. A inspiração veio da Berliner Weisse, estilo alemão tradicional caracterizado por acidez láctica e baixo teor alcoólico, mas os cervejeiros catarinenses introduziram duas mudanças que transformaram a Berliner em algo novo: adição obrigatória de frutas frescas, preferencialmente brasileiras, e teor alcoólico mais alto, entre 4 e 5,5% ABV, contra os 2,8 a 3,8% da prima alemã.
O marco fundacional aconteceu em 2016, quando a Cervejaria Blumenau e o The Liffey Brewpub lançaram a Coroa Real, uma colaborativa com adição de abacaxi e hortelã, batizada formalmente com o nome de Catharina Sour. No mesmo ano, a Associação Catarinense de Cervejarias Artesanais (ACASC), presidida por Carlo Lapolli, organizou um workshop na Armada Cervejeira para debater métodos de produção e definir as diretrizes do estilo. Foi nesse encontro que as características técnicas que conhecemos hoje foram consolidadas.
O reconhecimento oficial veio em duas etapas. Em março de 2018, o Concurso Brasileiro da Cerveja, realizado em Blumenau e considerado o maior concurso cervejeiro nacional, incluiu a Catharina Sour como categoria própria. Já na primeira edição, o estilo recebeu 57 inscrições, ficando entre os dez mais concorridos. Ainda em 2018, o Beer Judge Certification Program (BJCP), entidade internacional que cataloga estilos cervejeiros do mundo todo, reconheceu a Catharina Sour como estilo provisório, oficializando o feito histórico de o Brasil ter, pela primeira vez, um estilo cervejeiro próprio na cartilha global.
As cervejarias que construíram o estilo
Cervejaria Blumenau, fundada em 2015 e responsável pelo lançamento da primeira Catharina Sour engarrafada do país, é considerada a pioneira do estilo. Krug Bier, em colaboração com a própria Blumenau, lançou versões que ajudaram a popularizar a Catharina entre o público de cervejarias artesanais maiores. Lohn Bier, do Vale Europeu catarinense, e Unicorn são frequentemente citadas por sommeliers como referências técnicas do estilo na versão com álcool.
O movimento se expandiu para fora de Santa Catarina rapidamente. Cervejarias como Hump Beer (com a parceria Cathedral Catharina de cajá, caju e coco) e a série Quintal de cervejarias mineiras especializadas em fruit beers brasileiras ampliaram o repertório do estilo. Hoje, mais de 570 rótulos de Catharina Sour estão cadastrados no Untappd globalmente, produzidos no Brasil mas também na Argentina, Polônia e Estados Unidos. Em 2021, no Concurso Brasileiro da Cerveja, a Catharina foi o terceiro estilo mais inscrito, atrás apenas das tradicionalíssimas IPA e APA.
O que define uma Catharina Sour tecnicamente
Segundo o BJCP, uma Catharina Sour autêntica deve atender a um conjunto de parâmetros sensoriais e técnicos bem definidos.
| Parâmetro | Especificação |
|---|---|
| Teor alcoólico (ABV) | 4,0% a 5,5% (versão tradicional). Versão sem álcool: até 0,5% |
| Amargor (IBU) | 2 a 8 (muito baixo, quase imperceptível) |
| Acidez | Láctica, moderada, equilibrada com a fruta |
| Frutas | Obrigatórias, frescas, preferencialmente brasileiras |
| Cereais | Trigo e cevada |
| Carbonatação | Alta, com espuma densa e persistente |
| Coloração | Determinada pela fruta utilizada |
| Final | Seco, refrescante, com alta drinkability |
A acidez é o ponto mais distintivo. Diferente de cervejas ácidas que usam Brettanomyces ou processos de envelhecimento prolongado em barricas, a Catharina Sour utiliza fermentação láctica controlada para gerar acidez limpa, sem caráter funky. As frutas devem aparecer com frescor e qualidade aromática, não como aromatizantes ou xaropes. A baixa amargura permite que o perfil frutado e ácido domine a experiência, o que torna o estilo especialmente acessível para quem está começando a explorar cervejas artesanais.
Catharina Sour Sem Álcool: a fronteira técnica do estilo
Produzir uma Catharina Sour sem álcool é um desafio técnico significativamente maior do que produzir a versão tradicional. Existem três barreiras principais.
A primeira é a fermentação. O perfil sensorial da Catharina Sour depende de fermentação láctica controlada para gerar acidez limpa. Em cervejas com álcool, a fermentação alcoólica complementa o processo e cria a estrutura de corpo e sensação na boca. Sem o álcool, é preciso compensar essa estrutura de outras formas, sem perder a leveza característica do estilo.
A segunda barreira é a preservação do perfil aromático das frutas. Métodos como desalcoolização a vácuo (usados por cervejarias industriais como Heineken 0.0) tendem a degradar compostos aromáticos voláteis, o que é especialmente problemático em cervejas frutadas. A solução adotada pela Luci é a fermentação com leveduras especiais, que produzem teor alcoólico abaixo de 0,5% naturalmente, preservando aromas e sabores das frutas frescas.
A terceira barreira é o equilíbrio sensorial. A acidez do estilo, que em uma cerveja com álcool fica balanceada pela presença alcoólica, precisa ser cuidadosamente calibrada na versão sem álcool para não dominar o paladar. As frutas precisam ter intensidade suficiente para sustentar a estrutura sensorial sem o suporte do álcool.
É por isso que pouquíssimas cervejarias no Brasil e no mundo produzem Catharina Sour sem álcool com qualidade competitiva. A Luci é a primeira cervejaria brasileira com uma linha dedicada ao estilo na categoria sem álcool e com frutas brasileiras, tendo dois rótulos premiados.
A linha Catharina Sour da Luci
A Luci desenvolveu duas Catharina Sour sem álcool, ambas formuladas em torno de frutas nativas da Mata Atlântica e ambas reconhecidas em concursos cervejeiros relevantes.
Maracuvaia: Country Winner e Ouro no World Beer Awards 2025
A Maracuvaia é uma Catharina Sour Sem Álcool que combina maracujá e uvaia, fruta nativa da Mata Atlântica de acidez delicada e perfil cítrico-floral. O resultado é uma cerveja com acidez suave a moderada, perfil tropical marcante do maracujá, complementado pela complexidade da uvaia, e final leve e refrescante. Sem doçura adicionada, sem aromatizantes: apenas os açúcares das próprias frutas.
Country Winner Brasil 2025 e medalha de ouro na categoria No and Low Alcohol Sour and Wild no World Beer Awards 2025, um dos maiores concursos de cerveja do mundo.
Medalha de bronze na Copa Sul-Americana de Cervejas 2025.
Catharina Sour com Cambuci e Jabuticaba: Prata no Concurso Brasileiro 2025
Esta Catharina combina duas frutas nativas da Mata Atlântica com perfis complementares. O cambuci, fruto do cambucizeiro classificado como ameaçado de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente, traz acidez cítrica marcante e notas verdes. A jabuticaba, fruta tipicamente brasileira de coloração escura e aroma silvestre, agrega caráter frutado levemente adocicado. O encontro das duas frutas resulta em uma cerveja com camadas de complexidade aromática raras na categoria sem álcool.
Medalha de prata no Concurso Brasileiro de Cervejas 2025, realizado em Blumenau, na categoria de cervejas sem álcool. O concurso é o mais prestigiado do calendário cervejeiro nacional e a mesma competição que oficializou o estilo Catharina Sour em 2018.
Os dois rótulos representam o estado da arte do estilo Catharina Sour na categoria sem álcool no Brasil. A Maracuvaia foi a primeira cerveja sem álcool brasileira a conquistar Country Winner no World Beer Awards na categoria Sour and Wild, marcando um momento histórico para a cervejaria artesanal nacional. A Catharina Sour com Cambuci e Jabuticaba consolidou a Luci como referência do estilo no Concurso Brasileiro da Cerveja, a mesma vitrine onde o próprio estilo foi oficializado em 2018.
Como servir e harmonizar
A Catharina Sour Sem Álcool deve ser servida bem gelada, entre 4°C e 6°C, em taça tipo tulipa ou copo de cerveja branca, para preservar a carbonatação e ressaltar o perfil aromático das frutas. A temperatura mais baixa potencializa a sensação refrescante característica do estilo.
Para harmonização gastronômica, a Catharina Sour combina especialmente bem com pratos leves e ácidos: frutos do mar grelhados, ceviche, peixes brancos, saladas com cítricos, queijos frescos como ricota e mozzarela de búfala, sobremesas com frutas tropicais. A acidez da cerveja funciona como contraponto a pratos gordurosos e equilibra preparações com vinagre ou limão.
Como base para mocktails, a Catharina Sour é versátil. Pode ser combinada com gin sem álcool, gengibre fresco, hortelã, espumante sem álcool, ou simplesmente servida com uma rodela de fruta cítrica. Para festas, brunches e happy hours pós-treino, é uma alternativa elegante a refrigerantes e isotônicos.
Perguntas frequentes sobre Catharina Sour Sem Álcool
Qual a diferença entre Catharina Sour e Berliner Weisse?
Catharina Sour e Berliner Weisse compartilham a base de fermentação láctica, mas têm três diferenças principais. A Catharina Sour exige adição obrigatória de frutas frescas, preferencialmente brasileiras, enquanto a Berliner Weisse tradicional não leva frutas. A Catharina tem teor alcoólico mais alto na versão tradicional (4 a 5,5% contra 2,8 a 3,8% da Berliner). E a Catharina é o primeiro estilo cervejeiro oficialmente brasileiro, reconhecido pelo BJCP em 2018, enquanto a Berliner Weisse é um estilo alemão clássico do século 19.
Catharina Sour Sem Álcool tem fruta de verdade?
Nas Catharina Sour da Luci, sim. A formulação utiliza fruta de verdade no processo de fermentação, sem aromatizantes, essências artificiais ou açúcares adicionados. O dulçor que aparece no perfil sensorial vem exclusivamente dos açúcares naturais das próprias frutas. Esse compromisso com fruta fresca é um diferencial importante em relação a cervejas frutadas industriais que utilizam aromatizantes para reduzir custo de produção.
Catharina Sour Sem Álcool é doce?
Não. A Catharina Sour Sem Álcool tem perfil seco, com acidez suave a moderada equilibrada com o caráter frutado das frutas utilizadas. O dulçor é apenas residual, vindo dos açúcares naturais das frutas. O estilo é caracterizado pela alta drinkability, ou seja, facilidade de beber sem cansar o paladar, o que é incompatível com perfil doce.
O que é cambuci e por que ele é especial?
O cambuci é o fruto do cambucizeiro (Campomanesia phaea), árvore nativa da Mata Atlântica do estado de São Paulo. Tem formato discoide característico, casca verde-amarelada e polpa ácida com perfil cítrico marcante. É classificado como espécie ameaçada de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente, e seu uso em alimentos e bebidas contribui para preservação da biodiversidade ao incentivar o cultivo. Na Catharina Sour, o cambuci entrega acidez complementar ao processo láctico e notas verdes que dificilmente seriam obtidas com outras frutas.
O que é uvaia?
A uvaia é uma fruta nativa da Mata Atlântica brasileira, do mesmo gênero botânico da pitanga (Eugenia). Tem polpa amarelada, aroma intenso e floral, e perfil sensorial que combina acidez com notas tropicais. É pouco conhecida fora dos circuitos gastronômicos especializados, o que torna seu uso em cervejaria sem álcool uma escolha autoral. Na Maracuvaia, a uvaia complementa o maracujá adicionando complexidade aromática e equilibrando a intensidade tropical da fruta principal.
Catharina Sour combina com qual ocasião?
Pela alta refrescância, baixa caloria e perfil ácido-frutado, a Catharina Sour Sem Álcool é versátil. Combina com brunches de fim de semana, happy hours pós-treino, almoços leves, encontros ao ar livre, piqueniques, festas de verão e momentos de relaxamento. Por não conter álcool, pode ser consumida em qualquer momento do dia sem comprometimento de produtividade ou direção.
Conclusão
A Catharina Sour é mais do que um estilo de cerveja. É um marco da identidade cervejeira brasileira, o primeiro estilo que o país conseguiu inscrever na cartilha mundial. Em uma década de existência, saiu de uma colaborativa de Blumenau para virar o terceiro estilo mais concorrido do maior concurso cervejeiro nacional, com mais de 570 rótulos cadastrados em mais de cinco países.
A versão sem álcool do estilo é uma fronteira técnica recente, e a Luci é a primeira cervejaria brasileira a entregar uma linha dedicada à categoria com qualidade competitiva em concursos internacionais. Beber uma Catharina Sour Sem Álcool da Luci é, em certa medida, beber dois pedaços da história cervejeira brasileira ao mesmo tempo: o estilo nascido no sul do país em 2015, e a categoria sem álcool artesanal que floresce no Brasil em 2026.
Conheça a linha Catharina Sour da Luci
Maracuvaia (maracujá e uvaia) e Catharina Sour com Cambuci e Jabuticaba. Frutas nativas da Mata Atlântica, fermentação especial sem álcool, prêmios nacionais e internacionais.
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