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Por Danniel Rodrigues

A nova relação dos brasileiros com o álcool: o avanço da abstinência segundo pesquisa do CISA

A nova relação dos brasileiros com o álcool: o avanço da abstinência segundo pesquisa do CISA

Nos últimos dois anos, o Brasil tem testemunhado uma mudança significativa na relação de sua população com o consumo de bebidas alcoólicas. De acordo com o estudo “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, conduzido pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) com dados coletados pela Ipsos-Ipec, a maioria dos brasileiros agora se declara abstêmia. O dado, expressivo e inédito, sinaliza uma transformação cultural importante — especialmente entre os mais jovens.

Abstinência cresce e se torna maioria no país

Em 2025, 64% da população brasileira afirmou não consumir álcool, um salto relevante em relação a 2023, quando o índice era de 55%.

Essa mudança aponta para uma reconfiguração no comportamento social ligado ao consumo de bebidas alcoólicas — uma tendência que já vinha sendo observada em outros países e agora se consolida no Brasil.

A coordenadora do CISA, Mariana Thibes, observa que o fenômeno brasileiro acompanha um movimento global: jovens estão cada vez mais conscientes sobre os impactos do álcool no bem-estar, saúde mental e qualidade de vida.

Jovens lideram a mudança

A pesquisa revela que a queda no consumo é puxada principalmente pelos jovens adultos. Entre as faixas analisadas:

  • 18 a 24 anos: abstinência cresceu de 46% para 64%.
  • 25 a 34 anos: aumento de 47% para 61%.

Além disso, o consumo abusivo entre jovens de 18 a 24 anos caiu de 20% para 13% — uma redução significativa.

A maioria dos jovens que ainda bebe consome uma ou duas doses por ocasião, sinalizando uma mudança de mentalidade em relação ao exagero e à busca por experiências sociais sem dependência do álcool.

Diferenças regionais e socioeconômicas

O avanço da abstinência aparece com mais força em determinados grupos:

  • Pessoas com ensino superior: de 49% para 62%.
  • Moradores do Sudeste: de 51% para 62%.
  • Classes A e B: de 44% para 55%.
  • Principalmente nas regiões metropolitanas e capitais.

Esses dados sugerem que fatores como escolaridade, renda e acesso a informação sobre saúde e bem-estar influenciam diretamente na decisão de reduzir ou abandonar o álcool.

Frequência de consumo também diminui

Entre aqueles que ainda bebem, houve uma redução na frequência do consumo. O número de brasileiros que ingerem álcool semanalmente ou quinzenalmente caiu seis pontos percentuais desde 2023.

E quando bebem, 39% declararam consumir apenas uma ou duas doses, refletindo um comportamento mais moderado.

O desafio permanece: percepção distorcida do consumo abusivo

Apesar dos avanços, o consumo abusivo continua sendo um ponto crítico. O percentual de bebedores abusivos caiu pouco — de 17% para 15% — e a pesquisa mostra que há um grande problema de autopercepção:

  • 82% dos consumidores abusivos acreditam beber moderadamente.
  • Apenas 9% reconhecem o exagero e sentem necessidade de mudar.

Esse dado reforça a importância de campanhas educativas e de políticas públicas que esclareçam o que de fato constitui “beber em excesso”.

O que este cenário revela sobre o futuro do consumo de álcool no Brasil

O levantamento realizado com 1.981 brasileiros maiores de 18 anos mostra um país passando por um momento de inflexão. A sociedade, especialmente os jovens, parece estar repensando sua relação com o álcool, seja por motivos de saúde, autocuidado, produtividade ou por mudanças culturais mais amplas.

O movimento observado pelo CISA indica não só uma redução no consumo, mas uma nova consciência coletiva, que pode impulsionar mudanças estruturais no mercado, nos hábitos sociais e nas políticas de saúde pública.

Leia o relatório na íntegra aqui. 

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