· Por Danniel Rodrigues
"Memento mori" e lucidez
"Memento mori" e lucidez
Memento mori, ou “lembre-se de que você vai morrer”, na tradução do latim, é uma expressão muito utilizada na filosofia estoica não com a intenção de nos assustar, mas de nos lembrar da finitude da vida e, a partir disso, incentivar uma existência mais alinhada às virtudes humanas.
Na correria do cotidiano, raramente nos lembramos de que a vida um dia cessará. Esse lembrete estoico, o memento mori, nos estimula a nos conectarmos com aquilo que é realmente prioritário e verdadeiro em nossas vidas — e isso é ter lucidez.
Infelizmente, em nossa cultura ocidental quase não falamos sobre a morte, o que faz com que paire sobre ela uma sensação pesada, negativa e assustadora, apesar de ser uma experiência inevitável a todos os seres vivos.
“Tenha diante dos olhos, todos os dias, a morte e o exílio e tudo o que parece terrível — assim você nunca terá pensamentos baixos nem desejará nada em excesso.” (Epicteto)
O memento mori nos ensina justamente o contrário do medo da morte: ele nos propõe viver com excelência no presente, buscando virtude, foco e gratidão enquanto ainda há tempo.
Quando lembramos da finitude da nossa vida e da vida daqueles ao nosso redor, abrimos espaço para construir momentos presentes mais significativos e ganhamos clareza — lucidez — sobre o que realmente importa para nós.
Ao integrar o memento mori ao nosso dia a dia, não cultivamos pessimismo, mas sim uma consciência mais desperta. Tornamo-nos capazes de fazer escolhas mais alinhadas ao que valorizamos, de viver com mais presença e de honrar o tempo que nos foi dado. No fim, lembrar da morte é, paradoxalmente, um convite poderoso para viver de forma mais plena.