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Por Danniel Rodrigues

O poder da mesa que você monta é maior do que você imagina

Uma reflexão sobre sustentabilidade, consumo consciente e o dia em que a Luci foi visitar o sítio de quem produz as frutas nativas das nossas cervejas

Na sexta-feira passada, dia 7 de agosto, a Luci participou do Fórum de Eventos Sustentáveis, organizado pela Eccaplan Soluções em Sustentabilidade dentro da programação da São Paulo Climate Week 2026, realizado no espaço do Civi-Co, hub de empresas de impacto socioambiental de São Paulo. Foi um encontro de cerca de 200 pessoas do setor de eventos, live marketing e ESG, com painéis reunindo nomes do Grupo Heineken, Coala Music, Expo Center Norte, TEDxAmazônia e outros, discutindo como transformar exigências ESG em prática operacional viável. A Luci foi a cerveja sem álcool escolhida para servir no evento.

Voltamos de lá com uma reflexão que já vinha rondando aqui, mas que ganhou peso depois de escutar os painéis. É uma reflexão sobre o poder do consumidor. E, mais do que isso, sobre a dificuldade de reconhecer que ele existe.

O consumidor esquece que tem poder

Existe uma percepção difundida, e ao mesmo tempo bem confortável, de que sustentabilidade é assunto de empresa, de governo, de acordo internacional. Que é responsabilidade dos grandes, e que a decisão individual do consumidor comum não muda nada. É uma tese confortável porque, se ela for verdade, ninguém precisa fazer nada. Alguém lá em cima resolve, ou não resolve, e o resto fica assistindo.

Só que essa tese é falsa. Ou, pelo menos, é meia verdade. É verdade que as decisões estruturantes sobre clima, floresta, indústria e regulação dependem de escala que ninguém alcança individualmente. Mas é falso que o consumidor individual não tem poder. Ele tem, e tem muito, especialmente quando age de forma coletiva e minimamente organizada.

O poder do consumidor está nas escolhas diárias. Cada produto que ele compra é um voto de sobrevivência para uma cadeia produtiva. Cada marca que ele apoia é um sinal de que aquele modelo de negócio faz sentido no mundo. Cada evento que ele frequenta é um voto para que outros eventos parecidos aconteçam. E cada gesto de "eu não vou comprar isso porque prefiro aquilo" é retirada silenciosa de recursos de uma cadeia e injeção deles em outra.

A mesa que você monta é declaração política. Cada ingrediente que entra nela é um voto sobre o tipo de agricultura, de indústria e de mundo que você quer viabilizar. Ninguém precisa fazer tudo. Mas todo mundo pode fazer alguma coisa.

Isso, sozinho, não muda o mundo. Mas somado em milhões de decisões parecidas ao longo do tempo, muda. E é justamente essa soma coletiva que faz a diferença entre um mercado que oferece cada vez mais produtos alinhados com sustentabilidade real e um mercado que continua oferecendo o que sempre ofereceu porque o consumidor não sinalizou querer outra coisa.

A pergunta que muda tudo, de onde vem?

Se o consumidor tem poder, o primeiro passo para usá-lo bem é uma pergunta que quase ninguém faz na hora da compra. De onde vem isso que estou consumindo?

Parece pergunta banal, mas ela é decisiva. Porque a resposta esconde tudo o que importa: como foi produzido, quem produziu, em que condições, com que impacto sobre a terra, sobre a água, sobre as pessoas envolvidas na cadeia. Um mesmo alimento pode ter origem completamente diferente, e o produto final na prateleira parece igual. Mas ele não é.

Uma fruta de monocultura convencional, produzida em larga escala com agrotóxicos, transporte longo e concentração de renda no distribuidor, tem impacto ambiental e social muito diferente de uma fruta produzida em sistema agroflorestal, com biodiversidade, pequeno produtor, comércio direto. Do lado do sabor, também são coisas diferentes. Mas na embalagem final, sem informação, ninguém consegue distinguir uma da outra.

É por isso que perguntar "de onde vem" é ato de resistência silencioso e poderoso. Cada vez que o consumidor pergunta, ele obriga a cadeia a responder. E cada vez que a cadeia é obrigada a responder, ela começa a organizar-se para poder responder bem.

Nossa visita ao Sítio do Bello

No início do ano, publicamos uma série de três vídeos no Instagram chamada Nossa Biodiversidade, mostrando uma visita da equipe Luci ao Sítio do Bello, em Paraibuna, no Vale do Paraíba paulista. É o sítio que fornece as frutas nativas que entram nas nossas Catharina Sours, o cambuci, a jabuticaba e a uvaia.

O Sítio do Bello é um lugar especial. O engenheiro agrônomo Carlos Alberto da Silva Filho, responsável pela gestão do sítio, foi quem nos recebeu explicou que o sítio inteiro é dedicado ao cultivo de frutas nativas brasileiras em sistema agroflorestal, sistema de produção que combina espécies vegetais anuais com espécies perenes, árvores, arbustos e mata nativa, com o objetivo de aliar produção agrícola à conservação ambiental. Cambuci, jenipapo, araçá, pitanga, uvaia, grumixama, gabiroba, cabeludinha. Frutas que quase ninguém encontra no supermercado, e que carregam sabores da Mata Atlântica que estamos em risco de perder culturalmente antes mesmo de biologicamente.

Essa forma de cultivar é o oposto do que a agricultura industrial faz. Em vez de monocultura em larga escala, com desmatamento e uso intenso de insumos químicos, o Sítio do Bello opera com biodiversidade, com técnicas que recuperam áreas degradadas e com integração entre agricultura e reflorestamento. É modelo mais lento, mais complexo, e sim, mais caro. Mas é também modelo mais coerente com a preservação do bioma e com a valorização do pequeno produtor.

Quando você toma uma Catharina Sour da Luci, está tomando uma cerveja que carrega, no cambuci e na jabuticaba, o trabalho de dez anos de recuperação de área degradada em Paraibuna. É trajetória que existe porque alguém pergunta, de onde vem?

Se você quiser conhecer melhor essa história, os três vídeos da série Nossa Biodiversidade estão no perfil da Luci no Instagram. É produção que fizemos justamente para dar rosto e voz a quem produz o que a gente transforma em cerveja. Porque não faz sentido celebrar biodiversidade brasileira sem mostrar as pessoas e os lugares onde ela existe.

O que a Luci faz, com honestidade sobre o que ainda falta

Faz parte do exercício de lucidez também reconhecer os limites. A Luci não é marca perfeita em sustentabilidade, ninguém é. Mas algumas escolhas estruturais já refletem prioridade real, e vale nomeá-las com transparência.

  • Origem ecológica dos ingredientes. As frutas nativas das Catharina Sours vêm de sistema agroflorestal, do Sítio do Bello. Isso encarece o produto e limita o volume disponível, mas é decisão que a gente toma porque conversa com o que a marca defende;
  • Lúpulo nacional na Hop Lager. Trabalhamos com produtor orgânico e biodinâmico da Serra Catarinense, evitando lúpulo importado por avião;
  • Cacau selvagem amazônico. Na Eclipsada, dark lager sem álcool, o cacau é da Luisa Abram, coletado em floresta amazônica preservada, em parceria com comunidades ribeirinhas;
  • Pacová, o cardamomo brasileiro. Utilizado em nossa IPA Lucinada promove essa especiaria ainda pouco conhecida e originária da Mata Atlântica, a qual foi fornecida por pequenos produtores da região de Paraty/RJ, por intermédio e parceria de Jorge Forager, que promove pesquisa e difusão do conhecimento sobre a biodiversidade brasileira. 
  • Embalagem em lata de alumínio. A lata é uma das embalagens mais recicláveis do mundo (índice acima de 97% no Brasil, um dos maiores do planeta). Não é solução perfeita, mas é escolha mais responsável que garrafa de vidro descartável ou PET;
  • Selo EURECICLO. Como garantia de financiamento da reciclagem do volume de embalagens equivalente ao que colocamos no mercado;
  • Presença ativa em eventos com pauta de sustentabilidade. O Fórum de Eventos Sustentáveis foi um exemplo. Estar em espaços que discutem esse tema, e não só em festivais convencionais, é parte da posição pública da marca.

E, para sermos honestos: nada disso resolve o problema climático nem transforma a Luci em marca "cem por cento sustentável". A cadeia inteira tem impacto, produção tem emissão, transporte tem emissão, mesmo escolhas conscientes têm limite. Mas o compromisso não é a perfeição, é a direção. É preferir escolhas mais alinhadas com o bem coletivo mesmo quando são mais caras e mais complexas. Não porque a gente é santo, mas porque é o tipo de negócio em que a gente quer estar.

O convite

Quando você escolhe uma Luci, você está apoiando essa cadeia. Você está viabilizando que produções como a do Sítio do Bello continue plantando cambuci, jabuticaba e uvaia, dentre inumeras outras frutas nativas, em Paraibuna. Você está fortalecendo o mercado de lúpulo orgânico brasileiro. Você está incentivando a coleta de cacau selvagem amazônico. Você está sinalizando ao setor de cerveja artesanal que existe demanda por escolhas mais conscientes.

E isso vale muito além da Luci. Cada compra que você faz de outra marca com valores parecidos tem o mesmo efeito. Cada evento sustentável que você prestigia tem o mesmo efeito. Cada pergunta "de onde vem isso" que você faz na compra do dia a dia tem o mesmo efeito. Somado em milhões de gestos, essa é a mudança acontecendo em escala real.

A gente costuma achar que sustentabilidade é algo que outros resolvem. Não é. É voto silencioso que a gente dá todos os dias, em cada mesa que a gente monta. E o poder desse voto é maior do que a gente imagina.

Beba com lucidez. Beba Luci.

Uma escolha que carrega Mata Atlântica no copo.

Cervejas artesanais sem álcool da Luci, feitas com frutas nativas de origem ecológica, lúpulo orgânico nacional e cacau selvagem amazônico. Nem sempre é a escolha mais barata. Mas é a mais coerente com o mundo que a gente quer viabilizar.

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Cada escolha do consumidor é um voto sobre o mundo que a gente quer viabilizar. Beba com lucidez.

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