Tendências, desafios e oportunidades de vendas para cervejarias
Este tema foi apresentado por Danniel Rodrigues, fundador da Luci, e Barbara Mortl, sócia e mestre cervejeira, no Seminário Internacional da Cerveja, realizado em Blumenau, durante o 17º Festival Brasileiro da Cerveja. A apresentação trouxe dados, análises de mercado e reflexões sobre como as cervejarias podem se posicionar diante de uma das transformações mais significativas do setor nos últimos anos.
O mercado de bebidas low/no alcohol não é mais uma promessa futura. Ele já é uma realidade concreta, com números que impressionam e mudam a forma como cervejarias pensam seus portfólios, comunicações e estratégias de venda.
Dados que nos motivam
Os números mostram que o Brasil está no centro dessa transformação global. Confira os principais indicadores que explicam por que o momento é de oportunidade:
2º lugar — Posição do Brasil no ranking global de consumo de cerveja sem álcool, conforme dados da World Brewing Alliance (WBA).
7% a.a. — Taxa de crescimento anual composta projetada até 2028 para cervejas sem álcool, segundo o IWSR.
+536,9% — Crescimento no volume declarado de cerveja sem álcool no Brasil de 2023 para 2024 (Anuário da Cerveja 2025 — MAPA).
1 em cada 4 — Consumidores que já experimentaram bebidas low/no alcohol (MindMiners 2024).
Conceitos legais
Antes de avançar, é importante alinhar a terminologia que estrutura o mercado:
- Low alcohol: baixo teor alcoólico (até 2% ABV).
- No alcohol: sem álcool (até 0,5% ABV).
- Zero álcool: até 0,05% ABV.
Essa distinção é relevante para rotulagem, comunicação com o consumidor e posicionamento de mercado.
Motores da tendência
O crescimento das bebidas low/no alcohol não acontece por acaso. Ele é impulsionado por mudanças profundas nos hábitos de socialização e consumo:
- Mudanças nos hábitos de socialização: menos socialização decorrente do uso excessivo de redes sociais.
- Troca da noite pelo dia: busca por performance esportiva e saúde redefine os momentos de consumo.
- Influência das redes sociais: a relação das pessoas com ideias de "corpo perfeito", vida saudável, alta performance e dietas impacta escolhas de consumo.
- Novos hábitos alimentares: impulsionados por busca por padrões de beleza e bem-estar.
Geração Z: a que menos consome
A Geração Z consome cerca de 20% menos álcool do que os Millennials consumiam na mesma faixa etária. Essa mudança de comportamento é estrutural e reflete valores que vão além de uma tendência passageira.
Comparativo geracional: Boomers, Gen X, Millennials e Gen Z
O gráfico abaixo, elaborado pela Statista com base em 10.000 respondentes dos Estados Unidos (18-64 anos), mostra como o consumo regular de diferentes tipos de bebida alcoólica varia entre as gerações:

Fonte: Statista Consumer Insights — 10.000 respondentes EUA (18-64 anos), Jul 2022-Jun 2023.
Os dados revelam padrões claros, a Gen Z apresenta os menores índices de consumo regular de cerveja e spirits, reforçando o título de "The More Sober Generation".
A OMS e o debate global sobre o álcool
Em janeiro de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma declaração impactante: "Quando se trata de álcool, não há nível seguro de consumo para a nossa saúde."
A posição gerou amplo debate global e reforçou o interesse de consumidores e formuladores de políticas públicas por alternativas de menor teor alcoólico. O debate não é sobre proibição, mas sobre informação e escolha consciente.
Saúde e bem-estar como estilo de vida
O movimento wellness deixou de ser uma tendência de nicho e tornou-se um pilar central nas decisões de consumo. Reduzir ou eliminar o álcool é visto como um ato de autocuidado, integrado a rotinas de alimentação saudável, meditação e exercícios físicos.
Essa mudança não é restritiva — é expansiva. O consumidor não está abrindo mão de prazer; está ampliando o conceito de prazer para incluir bem-estar, presença e performance.
Benefícios da cerveja sem álcool
A cerveja sem álcool oferece benefícios concretos que vão além da ausência de álcool:
- Ação antioxidante e anti-inflamatória: compostos do lúpulo e do malte preservados.
- Recuperação esportiva: ajuda no processo de recuperação pós-treino.
- Potencial preventivo: pesquisas indicam possíveis benefícios na prevenção ao Alzheimer.
Esses atributos tornam a cerveja sem álcool uma escolha funcional, não apenas uma alternativa.
Esporte como motor do mercado no/low alcohol
O Brasil vive um momento único de valorização da atividade física, e isso se reflete no consumo de bebidas:
+10 milhões — Corredores ativos no Brasil, segundo a Confederação Brasileira de Atletismo.
+42% — Crescimento (2022-2023) nas metas de "sobriedade" ou redução de álcool, segundo o Strava Year in Sport 2023.
+800% — Aumento na criação de clubes de corrida no Brasil, o país mais social do mundo no Strava (relatório de 2025).
Esse público busca alternativas que mantenham o ritual do brinde sem comprometer a performance do dia seguinte.
Valorização do local e do artesanal
Segundo a Whole Foods Market Trend Report 2024, "Local" e "Artesanal" estão entre os 5 principais motivadores de compra para consumidores de bebidas saudáveis.
Cervejarias que utilizam ingredientes locais constroem um terroir cervejeiro análogo ao do vinho, engajado com valores de autenticidade e sustentabilidade. Isso se expressa de múltiplas formas:
- Ingredientes com denominação de origem.
- Parcerias com produtores locais.
- Rastreabilidade total comunicada no rótulo.
- A cervejaria como agente ativo da bioeconomia.
- Biodiversidade local como valor agregado e diferenciação.
Tendências No/Low Alcohol 2026
Segundo o Coolinary Food Trends 2026 e BHB Food, as principais tendências para o mercado são:
- Funcionalidade: Bebidas com adaptógenos (liberados para uso) e ingredientes bioativos que entregam benefícios além da hidratação, como café, vitaminas e sais minerais.
- Sofisticação: Complexidade sensorial e experiências premium que rivalizam com as melhores bebidas alcoólicas do mercado.
- Sustentabilidade: Ingredientes de origem responsável, embalagens sustentáveis e pegada de carbono reduzida.
- Zebra Striper: O público mais interessante para 2026 é aquele que alterna, ao longo da mesma ocasião, entre bebidas alcoólicas tradicionais e opções sem álcool.
- Clean Label 2.0 e fermentação: Pressão por transparência, naturalidade e menor processamento. Fermentação como solução e vantagem competitiva.
Como se posicionar no mapa de tendências
Para cervejarias que querem capturar o valor desse mercado em expansão, três eixos são fundamentais:
- Honrar o discurso: O consumidor valoriza marcas com propósito real e coerência entre discurso e prática.
- Diferenciação por ingredientes: Formulações com botânicos e funcionais que constroem identidade de marca única e memorável.
- Premiumização visual: Embalagem e apresentação que comunicam qualidade e autenticidade, essencial para o consumidor consciente.
Conheça as cervejas sem álcool da LUCI
Cervejas artesanais sem álcool feitas com ingredientes brasileiros, propósito real e sabor que honra o ritual do brinde.
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Observação: dados de mercado e projeções podem variar conforme fonte, metodologia e período de análise.